Quarta-feira, Julho 8

Dos Vícios

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Terça-feira, Junho 9

Microcontos #3

Veja também: #1; #2


Semente

- Você falta com a verdade!


Poente

Um dia aquele belo dia acabaria.


Sucesso

Era só dele, para desespero e inveja de outros.


Tese

Patos são exímios nadadores.


Antítese

Patos são exímios voadores.


Síntese

Patos são bons assados.


Rãs

Pernas serelepes, que dançam até mortas.


Pão

Expertise milenar no café da manhã.


Delírio

Deixei meu cérebro passear no museu enquanto fiquei em casa assistindo TV.


Partido

Se a idéia não é inteira, como a política dará certo?


Jogo

Pedra! Papel! Tesoura! Ganhei!


Harmonia

Sua falta desanda de músicas a relacionamentos.


Vento

Acelerou o catavento que moveu o barco de Jezebel até seu mais sublime momento.


Agora

A ágora é do povo como a terra prometida é do Hebreu.


Tempo

Vilão dos adultos, amigo das crianças, justificativa para o relógio.



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Sexta-feira, Junho 5

Vota Queu Conto #1

Vamos ao texto da primeira votação, que resultou no início #6.



Luxúria Verde

O meu pior sonho erótico envolvia um prato de caldo verde e uma samambaia. Minto. Digo o pior porque não havia mulheres. Nem eu. Mas havia uma sensualidade realmente surreal em tudo aquilo...

Ambiente de filme noir. Uma casinha de campo, sala de jantar. Corta para uma samambaia pendurada ao lado da janela. Uma brisa a movimenta, lentamente. Um belo pôr-do-sol vai dando lugar à noite. Corta para a mesa, vista de cima. Um prato de caldo verde encontra-se pousado em uma toalha xadrez, fumegando.

O vento fica mais forte. Um dos galhos da samambaia começa a avançar, toca na mesa e volta ao seu lugar. Avança novamente e pousa em cima da mesa. O vapor do prato não acompanha a direção do vento, seguindo até o galho. Toca levemente nele, tão suave que os esporos de suas folhas se eriçam, como que arrepiados. Volta a ventar e o galho sai da mesa, em direção à janela. O vapor do prato flutua até a samambaia, deixando-a totalmente arrepiada. Mais vento, agora. Um galho alcança a borda do prato, tocando levemente em seu conteúdo. O caldo verde treme. O galho cai na mesa. Mais vento o faz pousar dentro do prato fumegante.

Finalmente. Folha a folha deste galho de samambaia põe-se a desaparecer, lentamente, da superfície da sopa. Sinto um forte cheiro de batata, de couve, de azeite. Meus olhos mergulham nela. Submerso, lembro do gosto do primeiro caldo verde que experimentei na casa da minha avó, quando criança. A sensação do calor, do caldo translúcido com seus pequeninos grânulos de batata, competindo com as finas tiras de couve pelo mais aprazível sabor...

Naquele momento, compreendi que não era mais criança, mas sim um invisível expectador admirando algo inimaginável. Tiras de couve entrelaçavam entre as folhas da samambaia, enquanto grânulos de batata roçavam, resvalavam e grudavam nos esporos, em movimentos sincopados. O galho mergulhava mais na sopa, e depois voltava para a superfície. As cenas que eram até agora em preto e branco, transformam apenas os dois protagonistas. A samambaia vai mudando de cor a cada ida e volta, passando do verde claro ao escuro, em ondas dégradé. A mesma coisa acontece com os grânulos de batata e fatias de couve.

A intensidade de movimentos aumenta a cada ida e volta do galho. O calor aumenta, os cheiros se misturam, as cores se fundem. A samambaia e o caldo verde tornam-se um só, num rodamoinho de cores e sabores, odores e calores, acelerando cada vez mais e mais e mais... o prato começa a tremer e eu, submerso nele, sinto a trepidação assustadoramente. Algo maravilhoso está para acontecer.

O prato treme de tal forma que as cores mudam dos tons amarelo a verde para todos os tipos de tons, incluindo vermelhos e azuis. Nunca concebi com meus olhos tanta variedade de matizes. Eu conseguia decupar e classificar, a cada milésimo de segundo, milhares de subtons e subcheiros, notas e temperos, almas e graus... Êxtase. O prato dá um salto deixando que seu conteúdo se desprenda totalmente, flutuando no ar, enquanto que observo, por outro ângulo e em câmera lenta, os esporos de todas as folhas da samambaia expelindo um pó marrom por todo o ambiente.

...

Um corte súbito mostra a mesa vista de cima. O prato não está mais fumegante. Ao seu lado, o galho da samambaia encontra-se pousado em cima da toalha xadrez, encharcado. Há manchas úmidas de sopa em quase todo o tecido. O quadro vai abrindo, revelando toda a sala. O vento pára. A cena escurece lentamente. Antes de subir os letreiros, desperto.

Acordo molhado.



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Terça-feira, Junho 2

Pregando a Briba

Este já apareceu há umas semanas pela rede,
mas eu precisei colocar aqui...



Agradeço ao smartt pelo vídeo sugerido.

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Quinta-feira, Maio 28

Vota Queu Conto

Bom dia!/ Boa tarde!/ Boa noite!
Vou testar uma sugestão do Ciccone no Quimera Ufana.

Vota Queu Conto - Instruções:
• Eu escolho uma edição antiga do Inícios para Livros e republico;
• Vocês escolhem o início mais legal e escrevem seu número nos Comentários;
• Na semana seguinte, eu publico um conto utilizando o número vencedor como início.


Esta é a minha primeira escolha.
Não se esqueçam de votar nos comentários qual é seu número escolhido, ok?
Quarta-feira que vem eu publicarei um conto com o início vencedor.
Divirtam-se!



Inícios para Livros - 14ª Edição (Publicado em 24/01/2006)
Especial Mundo dos Sonhos

#1

Meu sonho de criança era ser um lemingue, para poder marcar um suicídio coletivo com meus amiguinhos.

#2
Uma porta foi aberta no grande corredor, e dela surgiram milhares de janelas cantando ópera.

#3
Setecentos macacos gritaram, e a nêspera conseguiu desviar do ônibus.

#4
Você já foi sufocado por lençóis com vida própria?

#5
A cada passo que eu dava, uma luz acendia no chão da grande biblioteca.

#6
O meu pior sonho erótico envolvia um prato de caldo verde e uma samambaia.

#7
Este livro de interpretação de sonhos fará você descobrir o quão imbecil é por acreditar nisto.

#8
Desencape o fio vermelho, isso, agora o azul, isso, agora enrole os dois, isso, agora aperte bem firme com os dedos, isso, agora ligue a chave geral, isso, agora acorde, pois você perdeu a reunião!

#9
Peixe, barranco, lenha, alfinete, pessoa desconhecida, muro de tijolos aparentes, feno, bússola, uma porta trancada, picada na mata fechada, vôo rasante numa praça, pessoa conhecida, lápis, montanha, castiçal, dobradiça, rã, arabescos, bicicleta...

#10
Sonhar em cores é para poucos, mas conversar horas com cores é raríssimo.


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Segunda-feira, Maio 25

Microcontos #2

Veja também: #1




Sandice!

Disse Eva, ao enaltecer a verdade.


Sanidade

Administrando plenamente de suas faculdades mentais, suicidou.


Teoria

Um gato dentro de uma pequena caixa fechada com um pote de veneno está meio vivo e meio torto.


Modos

Sentada de saia com as pernas abertas, Alice admirava-se no espelho.


Ternos

Um preto, um cinza e um azul marinho era tudo o que seu Deodato guardava no velho baú enterrado.


Tempero

Com sal, salgamos o que de doce não se pode comer.


Conserva

Dona Eulália dormia envolta em panos embebidos em sangue virgem.


Serpente

Num só movimento, agarra sua presa e apressa-se a inocular pecado.


Rosca

- Dê-me confeitos e tornar-te-ei donnut!


Tesla

Uma máquina engenhosa que se fragmenta em tempestade.


Vigário

Padre Everaldo adorava aquele conto.


Sinuca

Retirou o chapéu e saiu fazendo bico.


Religião

Com um só olhar foi apedrejado por uns e martirizado por nenhuns.


Sexo

Foi masculino e feminino: hoje fudeu.


Fim

A justificativa para quase todos os meios.


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Sexta-feira, Maio 22

Semana Fim do Mundo - Epílogo

1ª semana temática do Quimera Ufana!

Cinco dias úteis dedicados ao apocalipse:

Segunda-feira
Poesia: Apocalipse 2.0.12

Terça-feira
Inícios para Livros: Especial Fim do Mundo

Quarta-feira
Possíveis Fins do Mundo

Quinta-feira
Repercussão do Fim do Mundo

Sexta-feira: Participações Apocalípticas
Fabio Ciccone: O Fim Está Próximo
Leandro Jardim: O Mundo, o Tudo e Seus Fins
Renato Takahashi: É Findo o Mundo
Sergio Martorelli: Apocalipse Adiado de Novo!


Header Oficial Semana Temática Fim do Mundo
Nostradamus
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Fabio Ciccone - O Fim Está Próximo

Fuja!
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Fabio Ciccone. De Lençóis Paulista para o mundo.
Acabou de publicar a 500ª tirinha da webcomic seqüencial Magias & Barbaridades. Publica ilustrações aqui, aqui e aqui.
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Leandro Jardim - O mundo, o tudo e seus fins

Quando chegar o fim,
mesmo que do mundo,
por certo ainda não
será o fim de tudo.

Mesmo que nós, amorfos,
em nossas efêmeras vidas
como disse um filósofo
em suas pensadas linhas

sejamos mera luz, partícula,
ridícula e fugaz centelha
entre os dois infinitos de breu
do qual o Tudo é constituído,

nem fim nem continuidade
existirão, porque só aos olhos
da humanidade é concedida
a ilusão de conceber

o que fica ou o que é tido
como real algum dia.
Pois a extinguir-se o que é vida,
já não teremos mais existido.




Leandro Jardim é poeta, letrista, escritor, comunicador e outras coisas mais em que o transforma o tempo. Seus trabalhos podem ser encontrados em raras livrarias e fartamente pela internet. Um bom ponto de partida é seu blog.
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Renato Takahashi - É Findo o Mundo

É Findo o Mundo
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Renato "Takren" Takahashi é um preguiçoso carcamano (apesar de japonês) que resolveu viver a vida na maciota apenas fazendo desenhinhos... Se fudeu. Agora come o pão que o diabo amassou, mas tem um blog.
É criador do header da Semana Fim do Mundo.
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